Museu em palácio conta história do acordo que anexou Acre ao Brasil

Tratado de Petrópolis completa 113 anos nesta quinta-feira (17).
Espaço tem primeira bandeira acreana e réplica de sabre histórico.

Por muito tempo as paredes do Palácio Rio Branco abrigaram personagens e situações históricas. Foi lá que o primeiro governador eleito do Acre, José Augusto de Araújo, renunciou após ser forçado por militares, durante o episódio que ficou conhecido como “Cerco ao Palácio”.

Desde 2002, no entanto, o espaço passou a abrigar objetos e documentos que contam a história do próprio estado, dos povos indígenas a assinatura do Tratado de Petrópolis, que completa 113 anos nesta quinta-feira (17).

A assinatura do Tratado de Petrópolis encerrou de vez o período da Revolução Acreana, conflito que, segundo estimativas, deixou ao menos 500 mortos entre agosto de 1902 e janeiro de 1903. Com o acordo, o Acre passava a ser oficialmente território brasileiro.

Essa história e todos os eventos que levaram a assinatura do acordo são contados em banners espalhados por uma das salas do palácio, onde estão ainda uma réplica da espada do líder da Revolução, Plácido de Castro, e a primeira bandeira acreana.

O estandarte foi confeccionado como símbolo oficial da República do Acre, proclamada pelo jornalista espanhol Luís Galvez. De acordo com o coordenador do museu do palácio, Moisés Bezerra, a bandeira pertence ao acervo do Museu da República, no Rio de Janeiro. Foi cedida para o governo do Acre há 14 anos através de um convênio que é renovado de tempos em tempos.

No espaço é possível encontrar ainda uma réplica do tratado original. Um prato cheio para os amantes de história. “O Museu do Palácio Rio Branco é o espaço mais completo sobre história do Acre. Aqui vamos de uma ponta a outra de toda a construção histórica do estado do Acre”, salienta o guia João Brito.

A coordenação do museu estima que anualmente o espaço recebe de três a cinco mil visitantes. Na maioria são estrangeiros ou turistas de outros estados do Brasil, além de estudantes que participam de visitas agendadas. O guia, porém, salienta a importância de haver mais acreanos visitando o espaço.

“Recebemos poucos visitantes da casa, mas, sobretudo, quando guio um visitante local tento passar o máximo de informações possíveis para que ele entenda nosso processo de formação. Temos que saber qual nossa origem, como surgiu nossa sociedade, para a gente possa se localizar no espaço em que estamos”, finaliza.

Tratado de Petrópolis
Apesar de pertencer à Bolívia, a então região do Acre era ocupada por seringueiros brasileiros, na maioria, eram imigrantes nordestinos que fugiam da seca e viam na extração de borracha uma chance de melhorar de vida.

O período da Revolução Acreana iniciou em 1899 com a proclamação da República do Acre e terminou em 1903 após a disputa de forças armadas comandadas por Plácido de Castro. O acordo só foi possível após uma longa negociação do então ministro das Relações Exteriores, José Maria da Silva Paranhos Júnior, mais conhecido como barão de Rio Branco com o governo boliviano.

Com a assinatura do Tratado de Petrópolis, em 17 de novembro de 1903, o Acre deixou de ser território boliviano e, então, com 191 quilômetros quadrados de terras produtivas, passou a ser brasileiro. Para conseguir convencer a Bolívia a vender o estado, o barão negociou áreas alagadas do Mato Grosso e ofereceu ainda a quantia de 2 milhões de libras esterlinas.

As histórias do confronto e do acordo já foram contadas na minissérie “Amazônia de Galvez a Chico Mendes”, escrita pela novelista Glória Perez e exibida pela TV Globo em 2007. A obra narrava entre outros momentos da história acreana, fatos e personagens que fizeram parte do período.

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